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Inflamação do apêndice intestinal

Tratamento da apendicite

A apendicite tanto pode curar-se por si mesma (e isso pode acontecer muitas vezes nos casos assim chamados de “apêndice ranzinza”), como pode evoluir para a perfuração, caso em que normalmente se formará o abscesso do apêndice. Este pode acomodar-se por muitas semanas e ser então drenado ou removido. Ocasionalmente, a ruptura do apêndice se faz seguir pela dispersão de pus em toda a cavidade peritoneal, o que resulta em peritonite generalizada.

Quais são os efeitos dos tratamentos?

BENÉFICOS

Antibióticos adjuvantes

Uma revisão sistemática e um ECR subsequente em crianças e adultos com apendicite simples ou complicada sofrendo apendicectomia encontraram que o uso de antibióticos profiláticos reduz as infecções da ferida e os abscessos intra-abdominais comparado ao não-uso de antibióticos. A análise de subgrupo da revisão sistemática encontrou que o uso de antibióticos reduz o número de infecções da ferida em crianças com apendicite complicada comparado ao não-uso de antibióticos. Porém, a análise de subgrupo da revisão sistemática não encontrou diferença significativa no número de infecções de ferida entre usar ou não usar antibióticos em crianças com apendicite simples. Um ECR subsequente em crianças com apendicite simples não encontrou diferença significativa no uso ou não de profilaxia com antibióticos nas infecções da ferida, mas o ECR pode ter sido pequeno demais para excluir uma diferença clinicamente importante.

PROVAVELMENTE BENÉFICOS

Cirurgia laparoscópica versus cirurgia aberta (em crianças)

Uma revisão sistemática encontrou que, em crianças, a cirurgia laparoscópica reduziu o número de infecções da ferida e a duração da permanência hospitalar comparada à cirurgia aberta, mas não encontrou diferença significativa na dor pós-operatória, no tempo até a mobilização ou na proporção de abscessos intra-abdominais.

CONTRABALANÇO ENTRE BENEFÍCIOS E DANOS

Antibióticos versus cirurgia

Um ECR pequeno em adultos com suspeita de apendicite encontrou que o tratamento conservador com antibióticos reduziu a dor e o consumo de morfina nos primeiros 10 dias comparado à apendicectomia. Porém, o ECR encontrou que 35% das pessoas tratadas com antibióticos foram reinternadas dentro de um ano com apendicite aguda e subsequentemente realizaram uma apendicectomia. Cirurgia laparoscópica versus cirurgia aberta (em adultos) Uma revisão sistemática e um ECR subsequente encontraram que a cirurgia laparoscópica em adultos reduz as infecções da ferida, a dor pós-operatória, a duração da permanência hospitalar e o tempo para retornar ao trabalho comparada à cirurgia aberta. Porém, a revisão sistemática encontrou que a cirurgia laparoscópica aumentou os abscessos intra-abdominais pós-operatórios comparada à cirurgia aberta.

EFETIVIDADE DESCONHECIDA

Cirurgia aberta versus nenhum tratamento

Não encontramos ECRs comparando a cirurgia aberta com nenhuma cirurgia.

Inversão do coto na apendicectomia aberta

Um ECR não encontrou diferença significativa entre a inversão do coto e a ligação simples na infecção da ferida, na duração da permanência hospitalar ou nos abscessos intra-abdominais. Outro ECR encontrou que a inversão do coto aumentou as infecções de ferida comparada à ligação simples, mas não encontrou diferença significativa entre os grupos em relação aos abscessos intra-abdominais ou à duração da permanência hospitalar.

O tratamento da apendicite aguda é cirúrgico na esmagadora maioria dos casos. Levando-se em conta que a perfuração comporta um risco de morte muito maior que a cirurgia laparoscópica, justifica-se uma intervenção cirúrgica precoce, até mesmo quando o diagnóstico de apendicite aguda não é inteiramente seguro.

Outras Causas de Apendicite

A infecção por Yersinia do íleo também pode acometer o apêndice.

A apendicite tuberculosa é encontrada habitualmente em associação com enterite tuberculosa, já tendo sido relatados casos raros de infecções actinomicóticas.

A doença de Crohn do íleo terminal acomete o apêndice em uma quarta parte dos casos e pode afetá-lo até mesmo quando as lesões inflamatórias estão localizadas em áreas distantes no intestino delgado ou no cólon.

A colite ulcerativa também pode afetar a mucosa do apêndice.